7# ECONOMIA E NEGCIOS 21.5.14

     7#1 ADIANDO O PACOTE DE MALDADES
     7#2 O PASSO A PASSO DA BLINDAGEM DO CARRO

7#1 ADIANDO O PACOTE DE MALDADES
Mas ele vir: o governo s no aumentou tarifas e impostos para evitar prejuzos nas urnas. A questo  saber por quanto tempo ser possvel resistir
Luisa Purchio (luisapurchio@istoe.com.br)

Na semana passada, dois ministros grados do governo Dilma Rousseff discordaram sobre um tema que afeta diretamente a vida de milhes de brasileiros: o controle de preos. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, admitiu que o governo segura tarifas para evitar o impacto negativo que elas teriam na inflao. Voc administra preos em funo do interesse estratgico da economia, disse Mercadante. Um dia depois, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi pelo caminho oposto. Ns temos feito reajustes. O maior exemplo  o preo da energia, que subiu 18%. Onde est o represamento? perguntou Mantega. A despeito do que dizem os representantes da presidenta Dilma, o fato  que, para evitar prejuzos nas urnas, o governo est adiando seu pacote de maldades. To certos quanto a Copa do Mundo, os ajustes viro  e seus efeitos sero imediatamente sentidos no bolso dos eleitores. Mais do que isso: para melhorar suas contas, o governo planeja aumentar impostos, informao que foi confirmada h alguns dias pelo prprio ministro Mantega.

PREOS LIVRES? - Mantega, ministro da Fazenda: "Ns temos feito reajustes. O maior exemplo  o preo da energia, que subiu 18%. Onde est o represamento?"

 fcil de entender a enrascada em que o governo se meteu. O aumento dos preos administrados (aqueles que dependem da canetada do poder pblico) provocaria uma presso inflacionria. Uma opo para evitar o processo seria elevar substancialmente a taxa de juros, mas uma medida dessas tem potencial para afetar o crdito. Com o crdito caro, o consumo despenca. A concluso  bvia: a economia, que j no d sinais de fora, esfriaria ainda mais. Qual  o outro caminho para evitar tudo isso? O governo sabe a resposta: represar preos. Por mais que o ministro Mantega diga o contrrio, isso tem sido feito de forma sistemtica. Em 2013, as tarifas administradas subiram 1,5% no Brasil, uma ninharia perto da alta de 7,3% dos preos livres. Ao evitar o reajuste da energia eltrica e do combustvel, para citar os dois exemplos mais gritantes, o governo tem conseguido manter o IPCA anual, o ndice inflacionrio, abaixo do teto de 6,5%. Mas at quando isso ser possvel?

No setor eltrico, o aumento dos custos das concessionrias tem sido bancado pelo Tesouro, e o reajuste das tarifas pagas pelos consumidores foi adiado para o ano que vem. Essa conta, portanto, vai estourar, quer o governo queira ou no. Postergar as cobranas tira a previsibilidade da economia, diz Celso Grisi, professor da Faculdade de Economia e Administrao da USP. O melhor  sempre assumir a realidade, ainda que essa seja uma deciso dura no perodo eleitoral. Um caso clssico da timidez do governo em ajustar tarifas  o da Petrobras. Apesar da alta dos preos internacionais do petrleo, o valor cobrado pelo combustvel nos postos de gasolina se mantm intacto. O resultado so perdas financeiras escancaradas no balano da empresa. Na semana passada, a presidenta da Petrobras, Graa Foster, defendeu o aumento de combustveis, mas a mdio e longo prazo. Resta saber se mdio e longo prazo significa para depois das eleies de outubro. O mesmo dilema preocupa governadores e prefeitos, responsveis pelos preos das passagens do transporte pblico. No ano passado, o reajuste do bilhete de nibus foi o gatilho para uma onda de manifestaes em diversas cidades.

PREOS CONTROLADOS? - Mercadante, ministro da Casa Civil: "Voc administra preos em funo do interesse estratgico da economia"

O pacote de maldades tambm dever significar o aumento de impostos. Para garantir a meta de supervit primrio de 1,9% do PIB,  preciso tirar dinheiro de algum lugar. Como o cobertor  curto, a sada bvia  aumentar a carga tributria. Em entrevista recente ao jornal O Globo, o ministro Mantega admitiu a hiptese de elevar a mordida fiscal. Temos a previso de aumentar alguns tributos, disse o titular da Fazenda. O que poderamos fazer  alterar a tributao sobre bens de consumo. O Brasil j  um dos campees mundiais em impostos. A carga tributria nacional equivale a 36,3% do PIB, mais do que em pases onde h farta oferta de servios pblicos de qualidade, como Espanha, Sua e Canad. No  difcil imaginar o impacto negativo nas urnas do anncio de mais tributos. Ser que o governo est mesmo disposto a correr esse risco?


7#2 O PASSO A PASSO DA BLINDAGEM DO CARRO
Com o aumento da violncia urbana e a reduo de preos dos servios, agora at a classe mdia protege o automvel
Luisa Purchio (luisapurchio@istoe.com.br)

H muito tempo a blindagem de carros no Brasil no v crise. Em 2013, o setor avanou 11%, com um total de 15 mil carros protegidos, performance que mantm o Pas como um dos lderes mundiais desse mercado. O motivo  bvio: o aumento da violncia urbana. A novidade  que a blindagem deixou de ser um artigo de luxo, atraindo agora a classe mdia. Atualmente as pessoas preferem economizar no carro para poder gastar com a blindagem, afirma Laudenir Bracciali, presidente da Associao Brasileira de Blindagem. Independentemente da proteo escolhida, verificar a qualidade da empresa  essencial para no ter prejuzos. Um servio mal executado desvaloriza o veculo, afirma Rogrio Garrubbo, da Concept Blindagens, empresa h 11 anos no mercado.

